sábado, 26 de março de 2016

Aeronáutica recebe carta patente de processo de pintura para furtividade de aviões

AGÊNCIA FORÇA AÉREA

Tecnologia também pode ser usada para aplicações civis
               
  Agência Força Aérea/Sargento JohnsonO Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) recebeu a carta patente de processo de pintura que permite dar mais furtividade aos aviões (dificuldade em ser identificado por radares inimigos) em janeiro deste ano. A nova tecnologia é resultado de anos de trabalho de pesquisadores do instituto, localizado em São José dos Campos (SP), e parte de um projeto iniciado em 1998 denominado MARE (Materiais Absorvedores de Radiação Eletromagnética) pela Divisão de Materiais.
“A patente é um reconhecimento pelo trabalho da equipe, da seriedade com que foi feito. É uma tecnologia nacional feita por brasileiros. É algo de orgulho, de importância”, avalia a professora Mirabel Cerqueira Rezende que esteve à frente do projeto e contou com aproximadamente 30 profissionais.
A furtividade dos aviões funciona da seguinte forma: o material que reveste a aeronave converte a energia eletromagnética emitida por radares inimigos em energia térmica, impedindo a reflexão de sinais e assim retarda a identificação dos aviões. Segundo a pesquisadora, são poucos os países do mundo que dominam esta espécie de tecnologia, pois é usada para ter soberania. França, Inglaterra, Japão e Estados Unidos, por exemplo, desenvolveram técnicas próprias para conseguir o mesmo resultado. “É um pouco difícil porque as informações são restritas. Os países que detêm essa tecnologia não a divulgam”, explica.
  Acervo pesquisadoraO Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) concedeu a carta patente à tecnologia intitulada “Processo para a obtenção de materiais absorvedores de radiação eletromagnética isotrópicos e anisotrópicos, utilizando partículas esféricas e filamentos de óxido de ferro policristalino, com valências Ll e Lll, na faixa de 1 Ghz a 20 Ghz”. “A concessão da patente significa que nossa tecnologia tem particularidades que a tornam única comparada com outras no mundo que permitem resultados semelhantes”, ressalta.
O desafio agora é licenciar a tecnologia para torná-la comercial. Ela pode também ser aplicada como blindagem de equipamentos eletroeletrônicos, de telecomunicações, uso médico, na aviação comercial, entre outros.
Processo - O Instituto de Fomento e Coordenação Industrial (IFI), um dos institutos do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), por intermédio do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT), foi o responsável por conduzir o processo cuja patente foi depositada no ano 2000. O projeto contou com financiamento de instituições como CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) e Fapesp (Fundo de Amparo à Pesquisa de São Paulo) e apoio do laboratório de guerra eletrônica do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).
  Agência Força Aérea/Sargento Johnson
O NIT, criado em 2006, é responsável por apoiar a transferência de tecnologias originadas nas instituições científicas e tecnológicas do Comando da Aeronáutica para o mercado, proteger a propriedade intelectual, tornar essas tecnologias acessíveis e promover a inovação tecnológica. Desde então já obteve 18 cartas patente e depositou cerca de 40 pedidos, resultado das pesquisas dos institutos do DCTA.
“A inovação efetivamente ocorre quando conseguimos transformar a nova tecnologia em produto”, afirma Renato Mussi, chefe do NIT. De acordo com ele, uma das funções do núcleo é apresentar as tecnologias descobertas pelos pesquisadores a quem estiver interessado em licenciá-las. “ A meta é transferir estas tecnologias para o setor produtivo nacional e, dessa forma, beneficiar a sociedade brasileira com a promoção efetiva da inovação tecnológica no país”, finaliza.
 
 

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Pesquisador cria irrigador solar automático com garrafas usadas


EMBRAPA

Photo: Luiza Stalder
Luiza Stalder -   Um irrigador automático que não usa eletricidade e ainda pode ser feito com materiais usados. Essa criação rústica e eficaz de um pesquisador da Embrapa poderá ajudar de pequenos produtores a jardineiros amadores a manter seus canteiros irrigados automaticamente pelo método de gotejamento.

Desenvolvido pelo físico Washington Luiz de Barros Melo, pesquisador da Embrapa Instrumentação (SP), o equipamento é baseado em um princípio simples da termodinâmica: o ar se expande quando aquecido. Melo se valeu dessa propriedade para utilizar o ar como uma bomba que pressiona a água para a irrigação.

Uma garrafa de material rígido pintada de preto é emborcada sobre outra garrafa que contém água. Quando o sol incide sobre a garrafa escura, o calor aquece o ar em seu interior que, ao se expandir, empurra a água do recipiente de baixo e a expulsa por uma mangueira fina para gotejar na plantação.

"Funciona tão bem que se você sombrear a garrafa, o gotejamento para, e, ao deixar o sol bater novamente, a água volta a gotejar", afirma o pesquisador que apresenta sua invenção na 67ª Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), de 12 a 18 de julho na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), São Paulo.

Fazem parte do invento outros dois depósitos de água: uma garrafa rígida também emborcada que desempenha a função de caixa d'água para manter abastecida a garrafa do gotejamento, e um recipiente maior conectado à garrafa-caixa-d'água que armazena um volume maior de água que será usado por todo o sistema (veja esquema abaixo).

"Os tubos que interligam as garrafas podem ser de equipos de soro hospitalar, por exemplo, mas já utilizei até capas de fios elétricos, retirei os fios de cobre de dentro e funcionou também," conta o pesquisador.

Ele explica que o maior desafio para quem for fazer o equipamento em casa é a vedação. Para o funcionamento do sistema é necessário que as três primeiras garrafas estejam fechadas hermeticamente. "Isso pode ser obtido com adesivos plásticos, do tipo Araldite, mas exige uma aplicação minuciosa", ensina.

Também compõe o sistema um distribuidor que pode ser construído com garrafa pet e do qual saem as tubulações que farão a irrigação.

Econômico e ecológico

As vantagens do irrigador caseiro são várias, conforme enumera Melo. Trata-se de um sistema automático sem fotocélulas e que não demanda eletricidade, pois depende somente da luz solar, tornando sua operação extremamente econômica. Ele promove igualmente uma economia de água, pois utiliza o método de gotejamento para irrigar, o que evita o desperdício do recurso.

"Além disso, é possível construí-lo com objetos que seriam jogados no lixo, como garrafas e recipientes de plástico, metal ou vidro", lembra o especialista.

A versatilidade do equipamento também é grande. A intensidade do gotejamento pode ser regulada por meio da altura do gotejador e o produtor pode colocar nutrientes ou outros insumos na água do reservatório para otimizar a irrigação.


4 – reservatório de água; 5 – equalização de pressão atmosférica; 6 – conexão; 7 – tubo de sucção; 8 – recipiente de transposição de água – sifão fonte; 9 – válvula; 10 – tubo de passagem; 11 – bomba solar – recipiente com ar; 12 – tubo de descompressão; 13 – conexão; 14 – recipiente do gotejador; 15 - sifão inverso; 16 – válvula de saída; 17 – gotas; 18 – suporte.
Quanto o Sol ilumina a bomba solar 11, a temperatura interna aumenta. O ar interno se expande e força a passagem pelo tubo 12; a pressão do ar sobre o líquido no recipiente 14 impulsiona-o a sair pelos tubos 10 e 15.

A água sai pelo tubo 15 por gotejamento. A pressão interna do recipiente 14 diminui. Nisso, a água no recipiente 8 passa para o recipiente 14 para suprir a água perdida. Mas um pequeno vácuo no recipiente 8 é gerado. Este vácuo provoca a sucção da água que se encontra no reservatório 4.

Quando se encerra a iluminação, a bomba solar 11 tende a esfriar, diminuindo ainda mais a pressão interna do recipiente 14, isto provoca um aumento do vácuo no recipiente 8, que aumenta a sucção da água do reservatório 4.

Este processo continua até o recipiente 14 completar totalmente o seu volume de água.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Brasil estará entre os 20 países com maior geração solar em 2018



PORTAL BRASIL


Em 2014, houve a primeira contratação de energia solar de geração pública centralizada, e, em 2015, mais dois leilões ocorreram, totalizando 2.653 MW

O mundo contabilizou, ao final de 2014, uma potência instalada de geração de energia solar fotovoltaica de 180 Gigawatts (GW), 40,2 GW a mais que em 2013. Os dados constam do boletim “Energia Solar no Brasil e no Mundo – Ano de Referência – 2014”, publicado pelo Ministério de Minas e Energia (MME), e apontam que, em dois anos, o Brasil deverá estar entre os 20 países com maior geração de energia solar no mundo.
Os cinco primeiros países em potência instalada – Alemanha, China, Japão, Itália e EUA –  respondem por 70% do total mundial nessa fonte. Em 2015, a China deverá alcançar o 1º lugar no ranking mundial de potência instalada. De acordo com o boletim, a Grécia tem o maior percentual de geração solar em relação à sua geração total (9,5%), seguida pela Itália (8,6%).
De acordo com dados da Agência Internacional de Energia (IEA), a energia solar poderá responder por cerca de 11% da oferta mundial de energia elétrica em 2050 (5 mil TWh). A área coberta por painéis fotovoltaicos capaz de gerar essa energia é de 8 mil km², o equivalente a um quadrado de 90 km de lado (quase uma vez e meia a área do DF).
Em 2018, o Brasil deverá estar entre os 20 países com maior geração de energia solar, considerando-se a potência já contratada (2,6 GW) e a escala da expansão dos demais países. O Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2024) estima que a capacidade instalada de geração solar chegue a 8.300 MW em 2024, sendo 7.000 MW geração descentralizada e 1.300 MW distribuída. A proporção de geração solar deve chegar a 1% do total.
Estudos para o planejamento do setor elétrico em 2050 estimam que 18% dos domicílios no Brasil contarão com geração fotovoltaica (8,6 TWh), ou 13% da demanda total de eletricidade residencial.
Geração centralizada
Em 2014, houve a primeira contratação de energia solar de geração pública centralizada (890 MW). Em 2015, mais dois leilões foram realizados, totalizando 2.653 MW contratados, com início de suprimento em 2017 e 2018. Os leilões foram realizados na modalidade de energia de reserva, com o objetivo de promover o uso da energia solar fotovoltaica no Brasil, além de fomentar a sua indústria.
O potencial brasileiro para energia solar é enorme. O Nordeste apresenta os maiores valores de irradiação solar global, com a maior média e a menor variabilidade anual, dentre todas as regiões geográficas. Os valores máximos de irradiação solar são observados na região central da Bahia e no noroeste de Minas Gerais.
Incentivos
O Ministério de Minas e Energia lançou, no dia 15 de dezembro, o Programa de Geração Distribuída de Energia Elétrica (ProGD). O objetivo é de estimular a geração de energia pelos próprios consumidores (residencial, comercial, industrial e rural) com base em fontes renováveis, em especial a fotovoltaica. Há potencial para a instalação de 23,5 GW até 2030.
Fonte: Portal Brasil, com informações do MME

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Equipamento inovador é capaz de detectar e tratar câncer da pele


FINEP



Maior órgão do corpo humano, a pele é também a parte mais exposta. Com o sol e o tempo, diversos problemas de saúde podem aparecer, como o câncer da pele. Dados do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA) apontam uma estimativa total de 576.580 novos casos de câncer no Brasil em 2015, e o câncer da pele aparece como o de maior incidência, com cerca de 188 mil novos casos (Melanoma e não Melanoma) estimados durante este ano. Quando detectada precocemente, contudo, a doença apresenta altos índices de cura. E um equipamento totalmente nacional apoiado pela Finep ajuda o Brasil a lidar com essa enfermidade.
Desenvolvido pela MMOptcis em parceria com o Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da Universidade de São Paulo (USP), o Lince é um sistema inovador capaz de avaliar e tratar a doença no mesmo dia, evitando mutilações e procedimentos dolorosos. Único no mundo com duplo sistema na mesma plataforma, que permite o diagnóstico e o tratamento de câncer no mesmo equipamento, o Lince, que contou com R$ 2,3 milhões da Finep, utiliza a terapia fotodinâmica (TFD) para o tratamento do câncer de pele e fluorescência para evidenciar lesões. Disponível no mercado a um custo médio de R$ 13 mil, o aparelho já foi autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
O processo é composto por duas fases – fonte de luz e o medicamento – e pode acontecer no próprio consultório médico. A fonte de luz contida no equipamento emprega elementos LEDs como emissores, tanto para o tratamento quanto para evidenciar a extensão do câncer. Um conjunto óptico de fonte de luz LED ultravioleta reconhece as lesões tumorais por meio da fluorescência óptica. O tratamento pode começar poucas horas depois de diagnosticada a doença. É aplicada no paciente uma espécie de pomada específica que reage com a fonte de luz LED vermelha de alta potência, gerando uma fotorreação que levará as células cancerígenas à morte.
Sobre a MMOptics
Criada em São Carlos em 1998, a MMOptics desenvolve equipamentos para a área da saúde. A base da inovação tecnológica aplicada pela empresa é agregar a ciência biofotônica à óptica-eletrônica. Os aparelhos a base de lasers e LED podem ser aplicados na medicina (tratamentos oncológicos), odontologia, fisioterapia, acupuntura, veterinária e estética.

domingo, 20 de setembro de 2015

Sala de aula do amanhã: onde a inclusão tem vez

FAPERJ


Cátia (primeira à esq.) instrui os alunos de pedagogia nos
recursos da 
Sala de Aula do Amanhã (Fotos: Divulgação)

Danielle Kiffer

Para muitos, a sala de aula futuro pode ser descrita como um local de ensino equipado aparatos tecnológicos de última geração e mobiliário com design arrojado. A professora e fonoaudióloga Cátia Crivelenti de Figueiredo Walter vê a sala de aula do futuro com outros olhos. Para essa professora de educação especial da graduação e do Programa de Pós-Graduação em Educação (ProPed) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), a sala de aula do futuro é o espaço onde acontece a inclusão. Com o projeto Sala de Aula do Amanhã: Formação Inicial e Continuada de Professores em Tecnologias Assistivas, Cátia e equipe montaram um projeto em que ensinam a futuros formandos em pedagogia as principais ferramentas e conhecimentos para integrar crianças com necessidades especiais a classes de escolas comuns na rede regular de ensino. “O objetivo é, aos poucos, eliminar o discurso dos professores que se dizem despreparados para receber alunos com deficiência. É tarefa do educador ensinar a qualquer estudante. A educação não pode e nem deve ser um instrumento de exclusão”, diz a pedagoga

Em espaço cedido pela Uerj e adaptado com recursos da FAPERJ por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento de Tecnologias Assistivas, ela criou a Sala de Aula do Amanhã. Com lugar para 40 alunos, tecnologia assistiva (TA), o ambiente dispõe de recursos para proporcionar ou ampliar a autonomia de pessoas deficientes: computadores com teclados especiais para aqueles com dificuldade motora e softwares que ajudam usuários com dificuldade de visão e auditiva; mesas adaptadas para cadeirantes, impressoras, material didático e pranchas de comunicação alternativa – ferramentas para que as pessoas que não conseguem falar possam se expressar –, que facilitem a inclusão de crianças e adolescentes com deficiência às turmas de escolas regulares.

Durante as aulas, que têm duração de quatro semestres, os graduandos em Pedagogia aprendem, primeiro, as aptidões e as dificuldades de cada deficiência específica, e também como estimular o aluno e integrá-lo às aulas. “Com esse conhecimento, os futuros profissionais poderão reconhecer as dificuldades que determinada criança e adolescente apresentam, diminuindo a barreira da comunicação e investindo no que esses estudantes têm de melhor”, afirma Cátia.

Um exemplo citado pela fonoaudióloga são as crianças com paralisia cerebral, que geralmente apresentam dificuldades motoras e de fala, mas têm sua capacidade de compreensão preservada. “Muitos profissionais despreparados, que não conhecem as limitações e a capacidade intelectual de cada caso, podem acabar desestimulando a criança e aumentando a barreira existente para que esses estudantes especiais se integrem às aulas”, explica.

Por isso, entre outras coisas, os professores aprendem a desenvolver as pranchas de comunicação alternativa, que podem ser feitas de papel ou madeira, ou simplesmente utilizar um tablet, vocalizadores e celulares. Basta um pedaço de papelão e as letras do alfabeto desenhadas ou impressas em papel plastificado, papelão ou outro material. No mesmo tipo de material, também podem ser escritas mensagens ou desenhados símbolos. São os chamados cartões de comunicação. Sobre o papelão, a criança ou adolescente junta com os dedos as letras disponibilizadas para formar palavras, no caso do alfabeto, ou formar a mensagem desejada, utilizando as imagens.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Coppe inaugura mais avançado núcleo de microscopia eletrônica do país


PLANETA COPPE



A Coppe/UFRJ inaugura, no próximo dia 14 de setembro, o seu Núcleo de Microscopia Eletrônica, o mais avançado laboratório do Brasil destinado à caracterização de materiais de engenharia e bioengenharia. A cerimônia terá início, às 14 horas, na sala do Conselho de Coordenação da Coppe, no Centro de Tecnologia 2 (CT 2), Cidade Universitária. Em seguida, será realizada visita às instalações do Núcleo.
O novo laboratório reúne equipamentos de última geração, como microscópios eletrônicos de transmissão e de varredura, com resolução atômica, que são capazes de mapear a composição química dos materiais, identificando o átomo e sua posição relativa, e de efetuar a reconstrução tridimensional de fases e precipitados. Os equipamentos possibilitam estudar materiais em escala nanométrica (1milímetro dividido por 1 milhão).
“Um importante diferencial do laboratório é sua capacidade de realizar esse mapeamento em alta velocidade, devido à configuração do microscópio de transmissão, que possui quatro detectores de raios X inseridos em sua coluna. Uma análise que antes era feita em seis horas poderá ser realizada em alguns minutos”, explica Luiz Henrique de Almeida, professor da Coppe e coordenador do Núcleo.
Para que os resultados dos ensaios sejam precisos e não sofram interferências do ambiente externo, eles foram instalados sobre blocos inerciais de 54 e 80 toneladas completamente independentes da estrutura do prédio, que possui 205 metros quadrados. Estes blocos pesadíssimos garantem que mesmo vibrações externas mínimas de alta ou de baixa frequência não afetem os microscópios. Além disso, para garantir a estabilidade térmica do ambiente as salas tiveram um tratamento de isolamento térmico especial e foi instalado um sistema de ar condicionado, com estabilidade de 0,2ºC/h e baixa velocidade de sopro.
Ao todo, foram investidos R$ 7,3 milhões na aquisição dos equipamentos e na construção do prédio do Núcleo, que fica em uma área anexa ao Bloco I da Coppe, no Centro de Tecnologia (CT), Cidade Universitária. Já está prevista uma segunda fase, na qual será erguido um prédio anexo, estruturalmente independente, que abrigará laboratórios de preparação de amostras, sala de computadores para acesso remoto e secretaria.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Brasil tem novo supercomputador na lista dos Top 500


CONVERGÊNCIA DIGITAL





Luís Osvaldo Grossmann

Começa a funcionar para valer este mês o novo supercomputador brasileiro, instalado na sede do Laboratório Nacional de Computação Científica, na Quitandinha, em Petrópolis-RJ. Batizado de Santos Dumont, ele ocupa 84 metros quadrados e consome R$ 450 mil em eletricidade por mês. E leva o Brasil ao mundo medido em petaflops.
“Era um grande sonho da comunidade científica brasileira, que abre espaço para uma série de desenvolvimentos que exigem performance mais alta. Antes dele ou o pesquisador tinha que pensar pequeno, adaptar seu projeto à capacidade, ou fazer acordos no exterior, o que implica em dividir uma patente, por exemplo”, diz o diretor do LNCC, Pedro Leite Dias.
A fase de testes começou ainda em abril deste ano, quando a máquina encomendada à francesa Atos/Bull ficou pronta. Elas são, na prática, três núcleos distintos com diferentes focos de aplicação à disposição do Sinapad, o Sistema Nacional de Processamento de Alto Desempenho que fornece capacidade computacional a universidades e institutos de pesquisa interligados a 100 Gbps.
Por isso o Santos Dumont já está na lista dos 500 maiores supercomputadores do planeta (top500.org), divulgada duas vezes por ano. Liderada pelo chinês Tiahne 2 e seus 33 petaflops, a lista é dominada por equipamentos dos EUA (233 deles), mas onde figuram bem japoneses, europeus, russos e chineses. Em toda a América Latina são sete supercomputadores –  e seis deles ficam no Brasil.
O Santos Dumont responde pelos três deles (148º, 178º e 208º. Outro é o Cimatec Yemoja, no Campus Integrado de Manufatura e Tecnologia do Senai de Salvador (165º), seguido pelo Grifo04, da Petrobras (um Itautec em 285º), pelo Cray do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (347 ). O sétimo supercomputador em terras latinas é o Abacus I, no México (255º).
A mudança é grande. Até aqui, o Sinapad e seus nove centros (UFRGS, Unicamp, UFRJ, UFMG, UFPE, UFCE, INPA e INPE, além do LNCC) reuniam 168 teraflops de pico de capacidade. O mais robusto entre eles também ficava no LNCC e rodava a 60 teraflops. Com capacidade de processamento de até 1 petaflop, o Santos Dumont é até 25 vezes mais rápido.
O projeto original era ainda maior. Pensado a partir de projeções de demandas do Sinapad, ele seria uma supermáquina de R$ 126 milhões – mas o dinheiro sumiu nos cortes orçamentários ainda de 2014. Quando voltou a aparecer, eram R$ 60 milhões. “O Santos Dumont não chegará ao que foi planejado lá atrás, mas é escalável para ter a capacidade ampliada em 40%”, conta o diretor do LNCC.
Ainda assim, o reforço fará diferença especialmente para três grandes aplicações que demandam muita capacidade computacional: modelagem molecular (para desenvolvimento de fármacos), engenharia aplicada à energia (sismografia do pré-sal, mas também em engenharia de materiais) e meteorologia de alta resolução.
Mas não só eles. Para o LNCC, o Santos Dumont também será muito usado em nanotecnologia, química, física, astronomia, meteorologia, oceanografia e geofísica,  e a própria computação (leia-se, big data). Na biologia, além dos fármacos há aplicações já existentes por sinal, como em medicina assistida por computação com aplicativos de treinamento de cirurgiões em técnicas de recomposição de aneurismas cerebrais.