quinta-feira, 16 de agosto de 2018
domingo, 22 de julho de 2018
quinta-feira, 12 de julho de 2018
Antropóloga Débora Diniz é ameaçada por defender aborto
Rede Brasil Atual
Referência no debate sobre legalização, professora da UNB tem sido atacada por conta de suas posições. Em agosto, ela participará das audiências públicas do STF, para discutir o assunto. ver+
sexta-feira, 6 de julho de 2018
MPF denuncia ex-agente do Exército por morte de militante em 1971
Por Camila Maciel da Agência Brasil
O Ministério Público Federal em São Paulo (MPF/SP) denunciou o suboficial da reserva do Exército, Carlos Setembrino da Silveira, pelo assassinato do dirigente do Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT) Dimas Antônio Casemiro, ocorrido durante a repressão da ditadura militar. O caso ocorreu em 17 de abril de 1971, em São Paulo, mas os restos mortais do militante só foram identificados em fevereiro deste ano. Também foi denunciado, por falsidade ideológica, o ex-médico legista Abeylard de Queiroz Orsini, que omitiu informações no laudo necroscópico da vítima.
De acordo com a denúncia, Casemiro foi enterrado como indigente no Cemitério de Perus, na zona norte paulista. Em 1975, os restos mortais dele foram exumados e enterrados em uma vala clandestina. A Vala de Perus, como ficou conhecida, foi aberta em 1990 e, neste mesmo ano, os restos mortais que poderiam ser do militante morto foram indicados, mas o resultado conclusivo do DNA, realizado por especialistas na Bósnia, só foi possível 47 anos depois do assassinato. Setembrino e Orsini também são denunciados por ocultação de cadáver.
Localizado pelas forças de repressão da ditadura, Dimas Casemiro foi perseguido e morto com, pelo menos, três tiros pelas costas. A versão divulgada pela ditadura na época foi a de que o militante foi morto ao reagir à prisão. O corpo dele foi apresentado ao Instituto Médico-Legal (IML) para o exame necroscópico dois dias após o assassinato. O laudo cadavérico foi produzido pelos legistas Orsini e João Pagenotto (já falecido). Na requisição para elaboração do exame de corpo de delito, o pedido estava assinalado com a letra T, que segundo as investigações, indicava se tratar de “terrorista”. ver+
sábado, 23 de junho de 2018
Ameaçada de despejo, Mirabal alerta para ‘legalização’ da violência contra mulheres acolhidas
Ocupação Mulheres Mirabal | Foto: Guilherme Santos/Sul21
SUL 21
Quase dois anos depois, a coordenação da ocupação afirma que mais de 70 mulheres já foram abrigadas no local e mais de 200 atendimentos já foram realizados. Em nota divulgada nesta sexta-feira (22), o movimento social cobra do poder público uma solução para que o trabalho desenvolvido no local tenha continuidade. Um grupo de trabalho, formado por representantes do governo do Estado, da Prefeitura de outros públicos, existe desde o ano passado para negociar com os salesianos ou encontrar uma alternativa, até agora sem solução.(...) ver+
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sexta-feira, 15 de junho de 2018
"Lava jato" mapeou defesa de Lula depois de grampear escritório, diz advogada
Após grampear o ramal central do escritório Teixeira, Martins e Advogados, que defende o ex-presidente Lula na “lava jato”, e ouvir mais de 400 ligações, a força-tarefa da operação montou um organograma apontando as medidas que seriam tomadas pelos procuradores do petista em diversos cenários. Isso é o que afirmou, nesta sexta-feira (15/6), a sócia da banca Valeska Teixeira Zanin Martins.(...)
(...) “Fomos surpreendidos por uma reunião em que Moro convocou os advogados a ouvir todos os mais de 400 áudios nossos que foram gravados. Chegando lá, havia um ‘organograma da defesa’, desenhando a estratégia dos advogados do Lula. Ele foi baseado em conversas dos integrantes do escritório com outros advogados, como o Nilo Batista. Não há nenhum precedente de uma atitude tão violenta, tão antidemocrática como essa em países democráticos”, contou a defensora de Lula, lembrando que as gravações só foram destruídas há pouco. (...) ver +
sábado, 2 de junho de 2018
Cobertura fora de foco
Por Nereide Beirão, do Observatório da Imprensa
A crise gerada pela paralisação dos caminhoneiros demonstra mais uma vez como a grande imprensa está distante da população e como não mostra a real situação econômica e social do país. Houve uma série de equívocos na cobertura, que abalaram ainda mais a já baixa credibilidade da imprensa.
1 – O primeiro erro e o mais grave foi a falta de informação e discussão sobre a principal causa da paralisação: a política implementada pela Petrobras de reduzir a produção interna de derivados, aumentar a importação e repassar diariamente as oscilações dos custos do dólar e do petróleo para os preços dos combustíveis, que aumentaram de forma abusiva. Por defenderem essa política, que beneficia acionistas e o mercado financeiro, os jornais, rádios e TV’s focaram as reivindicações dos caminhoneiros na questão dos impostos, como se fossem eles os responsáveis pelo aumento nos preços, e na necessidade de continuar a “recuperação” da situação financeira da Petrobras. Culpam a corrupção e a política anterior da empresa de controlar os preços do combustível como causadora da crise, apesar da Petrobras estar há dois anos sob a nova gestão, amplamente elogiada. A decisão do governo, apoiada pela imprensa, de reduzir os preços do diesel por 60 dias, mas manter a atual política de reajustes dos preços altíssimos da gasolina, do álcool e do gás de cozinha, e de assumir, compartilhado com estados e municípios o custo dos 10 bilhões da redução dos impostos, em nada resolve o tenso clima econômico e político.
2 – Assim como o governo, a imprensa demorou a dar importância ao movimento e informar o grau de mobilização dos caminhoneiros e os efeitos que a paralisação causaria para a economia do país. Muito preocupado em outros tempos com o aumento do preço do tomate, o jornalismo econômico não considerou o peso, em uma situação de crise e em um país com o transporte baseado em rodovias, que os aumentos sem limite do diesel, da gasolina, do álcool e do gás de cozinha teriam na vida de população e nos diversos setores da economia. Até durante a crise, as matérias continuaram defendendo a política da Petrobras, ouvindo os economistas do mercado.
3 – A cobertura, como tem acontecido nos últimos anos, foi baseada nas informações oficiais. As notícias de Brasília foram amplamente divulgadas, as reuniões do Palácio do Planalto, os “acordos” para terminar a greve, com algumas das lideranças do caminhoneiros que não os representavam, reprodução com destaque das coletivas de ministros, da direção da Petrobras, das falas do presidente, de negociações e decisões que não levavam a nada no Congresso. Noticiário que colocou mais lenha na fogueira, por causa das ameaças aos grevistas, da intervenção dos militares, do uso da força no combate a greve, dos comentários infelizes de muitos ministros e do presidente e da avaliação otimista e fora da realidade geral de Brasília, quando o governo negociou e atendeu, principalmente, ao desejo dos empresários do transporte reduzindo impostos e pedágio e repassando a conta para o tesouro, ampliando o déficit público.
4 – A situação dos caminhoneiros pouco foi mostrada e considerada. A cobertura do movimento, na maioria das vezes, como tem sido hábito na TV, foi feita com imagens aéreas. O dia seguinte ao anúncio de novo acordo com os caminhoneiros comprovou o distanciamento de jornalistas e grevistas. Apesar da expectativa do fim da greve, na segunda-feira, dia 28, a paralisação continuou em vários pontos das rodovias. Por que a greve não acabou? Faltou ouvir os caminhoneiros nos pontos de paralisação para saber. A cobertura se restringiu às imagens e a entrevistas de lideranças, que acusaram infiltrados no movimento.
Os caminhoneiros, antes da deflagração da greve já haviam montado uma rede própria de informação, por meio de mensagens no celular, que coordenaram e alavancaram o movimento. Em uma matéria exibida no Fantástico, sete dias depois do início da paralisação, ficamos sabendo que, assim como a Revista piauí, a reportagem da afiliada da Globo em Campo Grande teve acesso a grupos de WhatsApp dos caminhoneiros, antes ainda da deflagração do movimento. Pelo conteúdo de áudio obtido nesses grupos fomos informados, por exemplo, que sempre houve uma orientação dos grevistas para permitir a circulação de caminhões com remédios. Soubemos também por outra reportagem que acompanhou o percurso de um caminhão com medicamentos pela via Dutra, que não havia impedimento para esse tipo de transporte, desde que o caminhoneiro apresentasse a nota fiscal. A responsabilização da paralisação por possíveis mortes por falta de remédio já havia gerado vídeos revoltados dos caminhoneiros na internet, chamando a TV Globo de mentirosa. Mas cabe a pergunta? Por que a Globo não esclareceu isso desde a segunda-feira, até para impedir possíveis ações individuais de caminhoneiros no bloqueio dos caminhões com medicamentos ou a decisão de transportadoras que atuam neste segmento de fazer locaute para obter vantagens? Por que permitiram a sensação e o temor da falta de medicamentos, mostrando até situações pontuais, como a de uma farmácia de Araxá, no Triângulo Mineiro, onde faltou insulina no meio da semana? Imagino o pânico criado em quem precisa diariamente desse medicamento para viver.
Não se pode negar o grande esforço dos jornalistas para a cobertura da crise, gravíssima, que atingiu contornos jamais imaginados; a dificuldade em cobrir um movimento sem lideranças estabelecidas; a desconfiança dos grevistas com relação à imprensa, havendo casos até de impedimento à livre circulação de repórteres da TV Globo nas áreas de concentração dos caminhoneiros; a quebra do protagonismo na circulação das informações produzidas e obtidas pelos próprios caminhoneiros por meio das redes sociais; a falta de combustível que prejudicou o dia a dia dos jornalistas e a circulação dos jornais e revistas em várias cidades; a falência das instituições, executivo, legislativo e judiciário, que não fornecem informações confiáveis; mas a situação não justifica o fato da grande imprensa ter perdido a chance de melhorar a sua imagem já tão desgastada ao optar, mais uma vez, em defender seus interesses, seus pontos de vista e direcionar a cobertura, distorcendo a realidade da situação econômica e política, gravíssima, que vivemos.
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Nereide Lacerda Beirão é jornalista. Foi Diretora de Jornalismo da EBC e da TV Globo Minas, além de professora. Ocupou também a diretoria do Centro de Comunicação da Universidade Federal de Minas Gerais. É autora do livro “Serra”, publicado em 2012.
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