quinta-feira, 18 de maio de 2017

Xadrez da Lava Jato em família

Jornal GGN










Peça 1 – as caixas pretas do Judiciário

Mais independente e sutil dos Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), assim que explodiu a disputa entre o Procurador Geral da República (PGR) Rodrigo Janot e o Ministro Gilmar Mendes, sobre conflitos de interesse – de parentes em escritórios de advocacia com grandes causas no STF e na PGR – o Ministro Marco Aurélio de Mello declarou-se impedido de julgar qualquer processo em que atuasse o escritório de Sérgio Bermudes. Alegou que tinha uma sobrinha que lá trabalhava.
Foi um tapa com luva de pelica nas práticas históricas das altas cortes, de parentes de Ministros, desembargadores, Ministros do Tribunal de Contas e outros advogarem nos tribunais em que atuam seus padrinhos.
Hoje em dia, há duas caixas pretas rondando o Judiciário. Uma, das ações em família; outra, das palestras de cachês desconhecidos.
Uma terceira caixa preta surge com a Lava Jato.
Os maiores escritórios de advocacia do Rio e São Paulo, antes especializados nas áreas comercial, administrativa e de contratos, passaram a aceitar advogados criminalistas como sócios, para atender à enorme demanda provocada pela Operação Lava Jato.
São honorários milionários. Segundo advogados paulistas, conseguir uma causa de delação premiada de algum cliente mais poderoso pode render até R$ 15 milhões de honorários.

Peça 2 – o poder da Lava Jato

A instituição da delação premiada na Lava Jato, conferiu um poder extraordinário a juízes e procuradores envolvidos com a operação. Depende deles – exclusivamente deles – a liberdade ou a prisão dos réus. E como a decisão de aceitar ou não é eminentemente subjetiva, eles se tornam senhores absolutos do destino dos réus que caem em suas mãos.
Essa submissão dos réus gerou dois fenômenos distintos.
O que está em jogo não é pouco. Ou a prisão, ou a possibilidade de ser libertado e ainda usufruir de parte da riqueza amealhada com a corrupção. Alberto Yousseff, a arma sacada por Sérgio Moro, conseguiu a liberdade e ainda a possibilidade de receber comissões sobre quantias que ajudar a recuperar.
Depois que a Odebrecht quebrou a cara, quando seus advogados resolveram enfrentar a Lava Jato, houve mudança total no comportamento dos advogados de réus candidatos à delação. Advogados altivos, passaram a aceitar todas as imposições da força-tarefa e do juiz e ainda avalizar o jogo de cena, negando qualquer imposição no conteúdo das delações.
Ora, todo delator já sabe, de antemão, o que os procuradores – e o juiz – desejam: informações que ajudem nas ações contra Lula. Aliás, não apenas eles mas a torcida do Corinthians e do Flamengo. E do Atlético Paranaense, é claro.
A partir daí entra-se na caixa preta. Até que ponto a contratação de advogados ligados às autoridades da Lava Jato se deve à sua competência, à tentativa de agradar a autoridade (agrado que pode ser correspondido ou não) ou barganha?
Trata-se de uma situação controversa, que merece uma segunda pergunta: até que ponto é lícito a um advogado aceitar uma proposta de uma empresa cujo destino está nas mãos de seu padrinho político?


quinta-feira, 13 de abril de 2017

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Opinião do Nassif: a escalada da censura

Jornal GGN


Submetidos ao medo. A recente condução coercitiva do jornalista e blogueiro Eduardo Guimarães aponta para um momento delicado da república brasileira. O país assiste, sobretudo desde 2014, uma escalada contra direitos sociais duramente conquistados. Nesta edição de sua coluna digital, Luis Nassif avalia quem são os atores centrais que estão levando o país a este estado de exceção. 






terça-feira, 28 de março de 2017

O país do "somos todos Ronaldinhos"..., por Eduardo Ramos

Jornal GGN



O país do "somos todos Ronaldinhos"..., por Eduardo Ramos
...o país do "somos todos Ronaldinhos"... ou "do narcisismo nonsense enquanto doença social perversa..." . Não há muita diferença intelectual e psíquica entre Ronaldo-Fenômeno, cracaço de bola brasileiro e os brasileiros de nossa elite social e classe média alta. Se observarmos os argumentos de nossos amigos e familiares, mesmo os com grande cultura acadêmica, mestrados, doutorados, viagens pelo mundo afora, percebemos apenas que o "VERNIZ" destes últimos é mais requintado que o verniz do ex-jogador, apenas isso. No mais, são ABSOLUTAMENTE SEMELHANTES, no orgulho que sentem em pertencer à classe social dos dez milhões de brasileiros com mais dinheiro - em nossa cultura, significando tal fato, pertencer "à casta dos vencedores" - a turma NARCÍSICA por excelência.
Não preciso ler estatísticas para afirmar que a maioria desses brasileiros veio de uma condição social inferior à que ocupa hoje. Ora, conheci ao longo da vida milhares dessas pessoas, muitas com belas histórias de vida, de lutas, esforço, superação, vitórias justas, insofismáveis! Orgulham-se disso, e não consigo ver nisso um demérito, não mesmo. Vejo DEMÉRITO IMENSO, imperdoável, do que fizeram a si mesmos, por conta de suas vitórias pessoais na vida, os MUROS de indiferença que foram construindo em torno de si, suas famílias e de sua classe social. Veremos como tem muito a ver com o verdadeiro nojo, repulsa que sentem, por exemplo, em relação a Lula.... - um nojo jamais devotado ao repulsivo e inócuo Aécio Neves, que nada tem a apresentar de bom em sua biografia, pessoal ou política, um ser medíocre, violento, covarde, envolvido até a medula em diversas corrupções já provadas pelos blogs na internet.

Apenas um exemplo óbvio, que todo o furor, a selvageria com que as vezes desperta essa nossa elite e classe média, NADA TEM A VER com "política" (apesar de suas ações serem políticas no sentido de destruir uma ideologia e levantar outra....) nem com "combate à corrupção" ou coisa que o valha, esses são apenas "motes", por eles levantados, para que sua nudez torpe, obscura, preconceituosa, narcísica, fanática, odiosa mesmo, não apareça a eles mesmos, diante dos espelhos.